10 livros sobre adoção para ler com as crianças

Estimular o acolhimento do novo - seja uma situação, uma descoberta ou uma pessoa que chega - é fundamental na infância

Publicado em 09.01.2017
Livros infantis sobre adoção - Ilustração do livro
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Resumo reportagem

Livros infantis sobre adoção podem ajudar na tarefa de naturalizar o assunto com os pequenos e ainda estimular a noção de empatia pela nova criança que chegou. Afinal, o afeto é maior do que a genética.

Quando o assunto é diversidade familiar, o tema “adoção” é um dos mais sensíveis e delicados de tratar com os pequenos. Pensando nisso, o Lunetas fez um apanhado de livros sobre adoção, com histórias que desconstroem o conceito tradicional de “família” – afinal, que importa quem é quem se o gostar é o que une? Com questionamentos assim, também nos lembram que o afeto ainda é o denominador comum dessas narrativas, importando pouco ou quase nada os vínculos genéticos.

Uma das definições mais recorrentes de “família” no dicionário é “conjunto de pessoas que vivem sob o mesmo teto”. Enquanto a razão tenta explicar, a emoção desconfia: será que é só isso? Definitivamente, não. Podemos encontrar classificações mais fiéis à grandeza do que a família é e pode ser em muitos lugares: a literatura é um deles. Os livros nos permitem olhar o assunto de longe, na pele de outros como nós, e viver as suas dúvidas como se fossem as nossas próprias.

Confira nossas lista de livros infantis para falar sobre adoção!

Capa do livro "“Filho é filho”, Marianna Muradas e Bruna Lubambo. Dois personagens estão abraçados; ao fundo, um céu estrelado
“Filho é filho”, Marianna Muradas e Bruna Lubambo (Matrescência) “Todos os bebês nascem da barriga de alguém. Alguns vão para o colo dessa mesma barriga. Outros não. O importante é ter colo para todos!”. Entre frases cheias de afeto e ilustrações carregadas de significado, o livro constrói a reflexão sobre o que é ser mãe e filho: o momento quando dois colos se encontram e se abraçam. Sobre o elo que não vem da barriga, do sangue ou da cor dos olhos. A conexão nasce na pequenez da rotina, na segunda-feira, na noite chuvosa, na mesa da cozinha. Para conversar sobre o tema da adoção de forma sensível e inteligente, com todas as crianças, seja qual for a origem do nascimento.
Capa do livro "A menina sem cor", de Fernanda Emediato. Várias crianças ilustradas como se fossem bonecas de pano dividem o espaço dessa capa
“A menina sem cor”, Fernanda Emediato (Troinha) Mimi foi adotada ainda bebê, mas só descobre esse fato aos seis anos. Ela começa a desconfiar e a fazer perguntas ao notar que tem a pele de cor diferente da dos pais. Após essa descoberta, Mimi passa a se questionar sobre as diferenças de cor e começa a desejar ter nascido branca. Ao conhecer Olívia, uma garotinha albina, entende enfim como é bom ser diferente. Afinal, todas as cores importam. Por fim, ao se propor discutir a adoção, o livro também aborda preconceito, tolerância e diversidade.
Capa do livro "É proibido falar disso", George Schlesinger e Bruna Assis Brasil. O perfil de uma menina ilustrada faz sinal de silêncio em um fundo em que predomina tons alaranjados
“É proibido falar disso”, George Schlesinger e Bruna Assis Brasil (Companhia das Letrinhas) O título deste livro indica os tabus que muitas vezes cercam o tema da adoção. A narrativa gira em torno da pequena Ruth, de seis anos, que vive querendo saber sobre a história da irmã adotiva e recebe dos pais apenas silêncio e mistério. Então, com a ajuda do amigo Dudi, ela consegue ultrapassar o muro colocado entre ela e esse tema, e entender que a história da irmã em sua família original marcou a sua própria história de uma forma que ela nunca poderia esperar. Uma narrativa de aventura e imaginação solta.
Capa do livro ""O irmão que veio de longe", Moacyr Scliar e Cárcamo. Numa moldura colorida em fundo vermelho, uma mulher adulta de costas olha três crianças à sua frente
“O irmão que veio de longe”, Moacyr Scliar e Cárcamo (Companhia das Letrinhas) E se um dia um grupo de três irmãos descobre que tem um irmão desconhecido vivendo no meio da floresta amazônica? E se a mãe deles decide, do dia para a noite, acolher o pequeno – que acabou de ficar órfão de pai e mãe -, em casa? É em torno dessa reviravolta na vida das crianças que gira este livro. O pai das crianças, Carlos, era indigenista e morre de forma precoce, deixando Carlinhos, o filho que teve anos atrás com uma índia amazonense. O livro traz não só o tema sensível da adoção e seus desdobramentos, mas também as diferenças culturais e o valor da tolerância no acolhimento do novo – seja ela uma situação, uma descoberta ou uma pessoa que chega.
Capa do livro "Flávia e o bolo de chocolate", Miriam Leitão e Bruna Assis Brasil. Quatro personagens estão dispostos em um fundo amarelo, há uma casa e uma passarinho também
“Flávia e o bolo de chocolate”, Miriam Leitão e Bruna Assis Brasil (Rocco) Esse livro apresenta os dilemas da pequena Flávia sobre o porquê de sua pele ser marrom e tão diferente da pele branca da mãe. Na história, a questão da adoção aparece junto a outro tema de importância crucial: a diversidade racial. Como sensibilizar a pequena Clara sobre as diferenças e como elas podem unir as pessoas? O leitor é guiado por uma jornada de autoaceitação e descoberta do amor.
Capa do livro "Então você chegou... e a família ficou completa!", Anette Hildebrandt e Almud Kunert. Uma menina e um gato ilustrados interagem com o rabisco de uma família na parede e completam o desenho
“Então você chegou… e a família ficou completa!”, Anette Hildebrandt e Almud Kunert (Companhia das Letrinhas) O livro traz a história de Lisa, uma menina que adora desenhar e jogar memória com a mãe. Porém, sua brincadeira favorita de verdade é ouvir a sua própria história. É no fim do dia, quando os pais já terminaram suas obrigações, a luz está baixa, e todos podem se reunir para ouvir, mais uma vez, a história de como Lisa chegou à família. Mais do que uma narrativa sobre adoção, o livro é uma sensível fábula sobre o poder do afeto.
Capa do livro "Aos olhos do mar", Cristiane Tavares e Chris Mazzotta. Capa em tons mais sombrios em que algas e seres do mar aparecem em rosa
“Aos olhos do mar”, Cristiane Tavares e Chris Mazzotta (Mov Palavras) Misto de autobiografia e ficção, trata-se de uma narrativa poética repleta de simbologias e linguagem metafórica. Na história, duas aldeias são separadas pelo mar, “de Cá” e “de Lá”: uma é habitada só por crianças e outra só por adultos. Então, depois de uma forte tempestade agitar tudo, um encontro inesperado acontece. As ilustrações, com uma proposta semelhante à da ilusão de ótica, sugerem ao leitor os limites borrados entre um lado e outro, e o tema da adoção aparece de forma sutil, em meio a esse universo, mostrando que misturar o conhecido e o desconhecido às vezes é essencial para entender (e sentir) as coisas.
Capa do livro "Ganhei uma menina", Tereza Yamashita e Luiz Bras. Há um cachorro com uma coleira verde e um osso de pingente que olha para o leitor. Ele está num ambiente com árvore e céu azul
“Ganhei uma menina”, Tereza Yamashita e Luiz Bras (Scipione) A configuração da família desse livro é tão diferente que o cachorro Quiuí tem um casal de estimação, o Pedro e a Paula. Até que um dia, a família resolve crescer e o cãozinho ganha um presente inesperado, Érica, uma menina muito esperta. Com texto e ilustrações bem-humoradas, o livro provoca a pensar: quem decide afinal quem é quem em uma família? O rumo da história leva o leitor a refletir sobre identidade e a complexidade das relações humanas.
Capa do livro "Drufs", Eva Furnari. Figurinhas de vários personagens estão dispostas em círculo, em volta do título do livro e nome da autora
“Drufs”, Eva Furnari (Moderna) Um dos maiores nomes da literatura feita para crianças no Brasil, a escritora e ilustradora Eva Furnari criou alguns dos personagens que mais marcaram época desconstruindo estereótipos, como a bruxinha Zelda. Em “Drufs”, propõe uma grande brincadeira com o que se entende hoje em dia por “família”. Os pequenos são apresentados às mais diferentes composições familiares e, para desviar do didatismo que o assunto pode inspirar, a autora usa o humor. “Os Drufs são seres parecidos com a gente, só que menores”, brinca, buscando despertar a empatia e o reconhecimento dos leitores. Aqui, são as próprias crianças que contam como são suas famílias: Família Padoca, Família Ui, Família Gorrinho. O que será que elas têm em comum e diferente? “Minha família tem três pessoas, contando eu e descontando meu pai, que já morreu. No ano que vem vai ter quatro pessoas de novo, porque a minha prima do interior vem morar com a gente”, diz o trecho que apresenta a Família Zum. Um livro para desconstruir ideias prontas e lembrar que a diferença é o denominador comum daqueles que decidem viver juntos.
Capa do livro "A Grande Árvore". A imagem mostra mãe e filha, negras, em cima de galhos de árvore cheios de flores.
“A grande árvore”, Janaína Leslão e Thais Linhares (Metanoia) Era uma vez uma árvore tão alta que seus galhos pareciam tocar o céu – tão profunda que ninguém sabia se suas raízes teriam fim. Entre estas raízes conhecemos Rudá, um garoto que encontrou cuidados no Casulo, abrigo criado pela líder das fadas de Enseada. Com os fios da árvore desorientados, algumas crianças nasciam onde não eram esperados, ele começa a sonhar mais bonito: haveria como juntar aquelas crianças e adolescentes e as mães e os pais que se desencontraram para que se adotassem?

* As descrições sobre cada livro foram elaboradas a partir de material disponibilizado pelas próprias editoras.

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